Partiram. Caminharam bem meia légua e encontraram uma guariba cabeluda, que andava com as juntas perras, escorada num cajado, óculos no focinho, a cabeça pesada balançando. Raimundo avizinhou-se dela, curioso:
— Como é, sinha Guariba? A senhora, com essa cara, deve conhecer história antiga.
Espiche uns casos da sua mocidade.
— Eu não tive isso não, meu filho. Sempre fui assim.
— Assim coroca e reumática? estranhou Raimundo.
— Assim como vocês estão vendo.
— Foi nada! A senhora antigamente era aprumada e vistosa. Sapeque aí umas guerras do Carlos Magno.
— Eu sei lá! Estou esquecida. Sou uma guariba paleolítica.
— Paleo quê?
— Lítica.
A princesa Caralâmpia arrepiou-se:
— Que barbaridade! Ela está maluca.
— Não está não, atalhou Raimundo. Meu tio diz essas atrapalhadas. É um homem que estudou muito, andou na arca de Noé e tem óculos. Direitinho a guariba. É do tempo dela e usa palavrões difíceis.
— Traga também esse quando se mudar para aqui, lembrou Talima.
— Ele não vem não. E não vale a pena. É um sujeito ranzinza e paleo como?
— Lítico, respondeu a guariba.
— Isso mesmo. Não vem não. Ele se enjoa de meninos, só gosta de livros. Um tipo sabido como nunca se viu.
— Não serve, decidiu Talima. Tem a palavra, sinha Guariba. Conte uma história.
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