O viajante rondou por ali uns minutos, receoso de puxar conversa, pensando nos garotos que zombavam dele na rua. Foi-se chegando e sentou-se numa pedra, que se endireitou para recebê-lo. Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos. Todos ali estavam descalços e cobertos de panos brancos, azuis, amarelos, verdes, roxos, cor das nuvens do céu e cor do fundo do mar, inteiramente iguais às teias que as aranhas vermelhas fabricavam.
— Eu queria saber se isto aqui é o país de Tatipirun, começou Raimundo.
— Naturalmente, respondeu o outro. Donde vem você?
Raimundo inventou um nome para a cidade dele que ficou importante:
— Venho de Cambacará. Muito longe.
— Já ouvimos falar, declarou o rapaz. Fica além da serra, não é isto?
— É isso mesmo. Uma terra de gente feia, cabeluda, com olhos de uma cor só. Fiz boa viagem e tive algumas aventuras.
— Encontrou a Caralâmpia?
— É uma laranjeira?
— Que laranjeira! É menina.
— Como ele é bobo! gritaram todos rindo e dançando. Pensa que a Caralâmpia é laranjeira.
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