Raimundo levantou-se trombudo e saiu às pressas, tão encabulado que não enxergou o rio. Ia caindo dentro dele, mas as duas margens se aproximaram, a água desapareceu, e o menino com um passo chegou ao outro lado, onde se escondeu por detrás dum tronco. A terra se abriu de novo, a correnteza tornou a aparecer, fazendo um barulho grande.
— Por que é que você se esconde? perguntou o tronco baixinho. Está com medo?
— Não senhor. É que eles caçoaram de mim porque eu não conheço a Caralâmpia.
O tronco soltou uma risada e pilheriou:
— Deixe de tolice, criatura. Você se afogando em pouca água! As crianças estavam brincando. É uma gente boa.
— Sempre ouvi dizer isso. Mas debicaram comigo porque eu não conheço a Caralâmpia.
— Bobagem. Deixe de melindres.
— É mesmo, concordou Raimundo. Eu pensava nos moleques que faziam troça de mim, em Cambacará. O senhor está descansando, hein?
— É. Estou aposentado, já vivi demais.
Raimundo levantou-se:
— Bem, seu Tronco. Eu vou andando.
— Espera aí. Um instante. Quero apresentá-lo à aranha vermelha, amiga velha que me visita sempre. Está aqui, vizinha. Este rapaz é nosso hóspede.
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