— Pois eu acho que está chegando a hora de voltar e descansar.
— Voltar para onde?
— Voltar para a beira do rio, entrar em casa, dormir.
— Não vale a pena. Se quer ver o rio, é tocar para a frente. O rio das Sete Cabeças faz muitas curvas. Adiante aparece uma delas. Aqui nós nunca voltamos. Vou contar o meu projeto.
— É bom. Conte. Mas andando à toa, sem destino, como é que vocês entram em casa?
— Entrar em coisa nenhuma! A gente se deita no chão.
— Macio, realmente. E as casas?
— Não entendo.
— Pois vou chamar o Pirenco. Venha cá, seu Pirenco. Onde estão as casas?
Talima encolheu os ombros:
— Ele veio de Cambacará cheio de idéias extravagantes.
— Perguntas insuportáveis, acrescentou Sira.
Raimundo observou os quatro cantos, não viu nenhuma construção.
— Está bem, não teimamos. Vocês dormem no mato, como bichos.
— Descansamos à sombra dessas rodas que giram, disse Fringo.
— Debaixo dos discos de eletrola. Sim senhor, bonitas casas. E quando chove?
— Quando chove?
— Sim. Quando vem a água lá de cima, vocês não se ensopam?
— Não acontece isso.
Raimundo abriu a boca e deu uma pancada na testa:
— Que lugar! Não faz calor nem frio, não há noite, não chove, os paus conversam. Isto é um fim de mundo.
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