— Quer ouvir o meu projeto? segredou o menino sardento.
— Ah! sim. Ia-me esquecendo. Acabe depressa.
— Eu vou principiar. Olhe a minha cara. Está cheia de manchas, não está?
— Para dizer a verdade, está.
— É feia demais assim?
— Não é muito bonita não.
— Também acho. Nem feia nem bonita.
— Vá lá. Nem feia nem bonita. É uma cara.
— É. Uma cara assim assim. Tenho visto nas poças d’água. O meu projeto é este: podíamos obrigar toda a gente a ter manchas no rosto. Não ficava bom?
— Para quê?
— Ficava mais certo, ficava tudo igual.
Raimundo parou sob um disco de eletrola, recordou os garotos que mangavam dele.
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