-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 13
— Pois eu acho que está chegando a hora de voltar e descansar. — Voltar para onde? — Voltar para a beira do rio, entrar em casa, dormir. — Não vale a pena. Se quer ver o rio, é tocar para a frente. O rio das Sete Cabeças faz muitas curvas. Adiante aparece uma delas.… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 12
Fringo, um menino preto, estirou o beiço e bocejou: — Ilusões. — Qual nada! Vira. Em Cambacará ninguém ignora isto. Vá lá e pergunte. Vira para um lado — tudo fica no claro, a gente, as árvores, as rãs, os pardais, os rios e as aranhas. Vira para o outro lado — não se vê… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 11
O anãozinho bateu na perna dele: — Nós nos esquecemos de perguntar como é que você se chama. — Raimundo. Sou muito conhecido. Até os troncos, as laranjeiras e os automóveis me conhecem. — Raimundo é um nome feio, atalhou Pirenco. — Muda-se, opinou o anão. — Em Cambacará eu me chamava Raimundo. Era o… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 10
Talima baixou-se e consolou o anão: — Cala a boca, nanico. Não há desgraça. — Imaginem que ela encontrou o espinheiro-bravo e espetou os dedos. — Encontrou nada! — Pode ter crescido e ido morar em Cambacará. — Não foi não, informou Raimundo. Não vi lá ninguém destas bandas. Como é a figura dela? —… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 9
— Cadê o menino que veio de Cambacará? gritava o povaréu. — Essa tropa não sabe geografia, disse Raimundo. Cambacará não existe. — E por que é que não existe? perguntou a rã. — Não existe não, sinha Rã. Foi um nome que eu inventei. — Pois faz de conta que existe, ensinou a bicha.… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 8
Escolheu uma túnica azul, escondeu-se no mato e, passados minutos, tornou a mostrar-se vestido como os habitantes de Tatipirun. Descalçou-se e sentiu nos pés a frescura e a maciez da relva. Lá em cima os enormes discos de eletrola giravam; as cigarras chiavam músicas em cima deles, músicas como ninguém ouviu; sombras redondas espalhavam-se no… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 7
A aranha vermelha balançou-se no fio, espiando o menino por todos os lados. O fio se estirou até que o bichinho alcançou o chão. Raimundo fez um cumprimento: — Boa tarde, dona Aranha. Como vai a senhora? — Assim, assim, respondeu a visitante. Perdoe a curiosidade. Por que é que você põe esses troços em… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 6
Raimundo levantou-se trombudo e saiu às pressas, tão encabulado que não enxergou o rio. Ia caindo dentro dele, mas as duas margens se aproximaram, a água desapareceu, e o menino com um passo chegou ao outro lado, onde se escondeu por detrás dum tronco. A terra se abriu de novo, a correnteza tornou a aparecer,… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 5
O viajante rondou por ali uns minutos, receoso de puxar conversa, pensando nos garotos que zombavam dele na rua. Foi-se chegando e sentou-se numa pedra, que se endireitou para recebê-lo. Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos. Todos ali estavam descalços e cobertos de panos brancos, azuis, amarelos, verdes, roxos, cor das… — continuar
-
A Terra dos Meninos Pelados – Capítulo 4
Raimundo continuou a caminhada, chupando a laranja e escutando as cigarras, umas cigarras graúdas que passavam sobre enormes discos de eletrola. Os discos giravam, soltos no ar, as cigarras não descansavam — e havia em toda a parte músicas estranhas, como nunca ninguém ouviu. Aranhas vermelhas balançavam-se em teias que se estendiam entre os galhos,… — continuar